Ricardo Vitorino do Nascimento

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Espiritualidade Brasileira

In Uncategorized on janeiro 2, 2008 at 8:04 pm

Quando pensei em escrever este post não sabia da existência de um novo livro com um  título parecido, O melhor da espiritualidade brasileira, é interessante que justamente neste momento mais pessoas, mais brasileiros, estão pensando e reconsiderando nossa tradição. É preciso fazer justiça e dizer que não é a nossa geração sozinha responsável por isto, as gerações anteriores, sobretudo a geração de nossos pais teve um papel fundamental na forma de ver a igreja contemporânea.  Me refiro aos Vencedores por Cristo, ao Janires e o Rebanhão, aquelas músicas que meus pais cantavam na minha infância, como “é manhã pescador”, João Alexandre, Guilherme Kerr, etcMas mais ainda que música, me refiro ao próprio pensamento, aos pensadores, aos pastores, aos teólogos, etc, como disse Ricardo Gondim em sua carta desabafo,“…estou cansado de exemplos tirados de jogos de golfe ou beisebol ! ”; Ele próprio, Ed Renné, Caio Fábio, entre tantos outros brasileiros são exemplos disto.

Me lembro de um livro que o Sandro Baggio me emprestou, “Contextualização” ele mostrava como o cristianismo havia nascido na cultura judaica, crescido na cultura grega, se desenvolvido na cultura latina (romana), e como a reforma  protestante lhe deu uma cultura germânica, os avivamentos a cultura anglo-americana, e que depois de tudo isso chegou a nós brasileiros entre outros povos.  

Uma passagem engraçada era a dos missionários evangelizando os nativos americanos, e estes fazendo confusão com o nascimento de Cristo e o papai Noel, achando que os missionários adoravam a árvore de natal porque ficavam horas enfeitando-a, ou as cadeiras porque oravam de joelhos apoiados sobre elas, rs.

Em uma recente entrevista ao missionário e antropólogo Don Richardson, perguntaram o que ele teria feito de diferente com a experiência que tem hoje, Don respondeu que não teria ensinado hinos evangélicos às tribos, porque não fazia parte da cultura deles. Ele os havia colonizado !

Quero tratar aqui da nossa bagagem cultural evangélica, a cultura anglo-americana que adotamos, as músicas, os instrumentos, os rituais, a própria forma de se reunir…temos uma cultura rica fruto da miscigenação dos povos que formam a nação brasileira, temos uma musicalidade nata, temos um jeito diferente, brasileiro de fazer as coisas, não o “jeitinho” no sentido pejorativa, mas um modo de nos reunirmos de maneira mais informal, descontraída, de demonstrar afeto livremente.

E isto que é tão peculiar nosso, tem sido apagado por uma liturgia fria, sem vida, enlatada, “importada sem tropicalização”, servida a nós como se fosse a única forma de adoração aceita por Deus.

Este quadro tem mudado é verdade, nos últimos tempos temos mais liberdade, mas ainda temos uma mentalidade colonizada, e precisamos nos libertar para que a multiforme graça de Deus se manifeste em nós e para que tenhamos a consciência de anunciarmos as boas novas sem colonizar as pessoas e impor nossa cultura evangélica como única aceita por Deus.

Vou terminar este post de uma forma diferente, iniciando um novo assunto que está relacionado com o tema, a questão de lugar, dias e horários de reuniões e cultos, de ordem e disciplina versus liberdade, novamente “questionando os paradigmas da sociedade atual” !

A Nova Sociedade

In opinião pessoal, Uncategorized on outubro 16, 2007 at 7:49 pm

Em 1950 Peter Drucker, famoso teórico da administração escreveu um livro chamado “A Nova sociedade”, nele Drucker se referia à comunidade fabril e em como os novos processos empresariais afetavam as relações de trabalho e a sociedade e lhe davam nova forma e significado.

Pouco mais de meio século depois, estamos passando por outra revolução nas relações de trabalho que desencadeiam numa mudança da sociedade, e já que estamos no terreno da administração vou citar outro teórico moderno, não tão famoso quanto o primeiro, mas igualmente importante, trata-se do irlandês radicado na Inglaterra, Charles Handy.

Handy tem afirmado que as formas de trabalho estão evoluindo de uma forma diferente da que estamos acostumados a pensar, e a sociedade tem acompanhado essa evolução, então poderíamos falar de uma corrida no sentido contrário ao que vivemos hoje.

Um dos exemplos de Handy é o do homem para quem “manter um casamento depois de muitos anos, criar os filhos e ter uma família unida” pode ser uma definição de sucesso, logo ser bem-sucedido não estará mais ligado ao sucesso profissional e sim a valores mais subjetivos que este.

Assim alguém pode decidir por exemplo trabalhar menos, mudar de área profissional no meio da carreira ou ainda deixar de trabalhar para se dedicar aos filhos, a ter uma vida mais simples, mais ligada a natureza e ainda que não tenha muitos bens, luxo e conforto se considerar bem-sucedida.

Ricardo Vitorino não é um administrador, nem um futurólogo, apenas alguém que se interessa por assuntos como administração, economia, política… alguém que gosta de ler, de se informar e que tem idéias próprias.

Indo um pouco além nesta “viagem” induzida por Drucker e Handy acredito que esta nova sociedade será bem melhor que a atual e que justamente os fatores econômicos e a atual revolução nas relações de trabalho serão o motor desta mudança.

Os valores estão mudando, hoje mesmo é possível ver esta tendência num crescente contínuo, onde coisas como jóias, carros de luxo, iates, etc perdem cada vez mais seu valor de uso para coisas simples como viagens a lugares exóticos não necessariamente caras, o convívio com a natureza que pode ser gratuito e a relação com os outros que não tem preço.

Acredito, e espero poder ver e participar desta nova sociedade, quiçá criar meus filhos num mundo um pouco menos consumista e com valores mais elevados. Quem me conhece ou lê meus tópicos sobre economia, política, sociedade, deve achar que estou doente, quem sabe tive um surto de anti-capitalismo, ledo engano ! só acredito que o próprio capitalismo está se reformulando para atender as expectativas desta sociedade que se forma.

Mas é possível viver assim hoje sem esperar o futuro, fazendo-o chegar agora, basta que pesemos nossas vidas, analisemos nosso cotidiano, nossas escolhas e os frutos que temos colhido.

Ainda que não queiramos admitir, a maioria de nós vive correndo contra o relógio, se desgastando no trabalho em jornadas, duplas, triplas… os casais trabalham mais para poder pagar uma boa escola aos filhos, a academia, a cirurgia plástica, a viagem a Disney, etc e tem se esquecido de simplesmente viverem, de serem pais e antes disto amantes !

Não é preciso me delongar para demonstrar o quanto temos sido escravos do dinheiro, do tempo, das convenções sociais de nossa época entre outras coisas, mas basta que tomemos consciência de nossa realidade, que internalizemos hábitos mais saudáveis, e que tomemos a decisão de mudar a partir de hoje os pequenos hábitos, e quando menos esperarmos seremos parte desta nova sociedade e o futuro será o nosso dia-a-dia.

Também não sou ingênuo o bastante para achar que tal transformação se dará da noite para o dia e sem percalços, apenas olho para os dias de hoje com a visão de um historiador, os processos históricos que parecem lentos aos nossos olhos são incrivelmente rápidos quando se compara com o curso da história, sobretudo se levarmos em consideração o último século.

É possível que tenhamos que nos habituar com um padrão inferior de consumo, talvez haja menor oferta e variedade de alimentos e os preços subam, o uso racional de água já é uma realidade, e com certeza os “bens de consumo” não poderão ser adquiridos pela maioria, mas isto não significa necessariamente que a qualidade de vida será pior, pelo contrário talvez até melhore, basta que descubramos que não precisamos destas “coisas” para viver bem, e que troquemos os valores que nos são incutidos pela sociedade atual por novos valores, novos paradigmas que estejam mais alinhados com a real perspectiva de vida nos próximos anos.

Bom, então você tem feito isso certo Ricardinho ? confesso que é mais fácil escrever sobre o assunto do que viver, a esta altura dirão: “pregador ! pratique o que você prega !” ok ! mas tenho tentado e experimentado algum progresso, ainda estou longe do ideal é verdade, mas a caminho, ao menos tenho a consciência e a vontade de mudar.

O que nos reserva o amanhã ? só Deus sabe! mas tendo a pensar que nos está sendo dada a oportunidade de fazer parte de uma grande mudança, cabe a nós decidirmos se queremos ser espectadores ou protagonistas.

E aí, vamos começar ?

Liberdade e Responsabilidade

In opinião pessoal, Uncategorized on outubro 16, 2007 at 7:47 pm

Argumentos  econômico-liberais contra o liberalismo político

Porque sou contra o liberalismo político

Porque o liberalismo político é a contradição do liberalismo econômico.

Porque no liberalismo político a sociedade paga pelas escolhas dos indivíduos.

Porque as liberdades individuais não são acompanhadas de responsabilidades individuais.

Porque as conseqüências diretas e indiretas das escolhas individuais são sofridas por toda sociedade. 

Algumas bandeiras da doutrina política liberal

Descriminalização do uso de drogas, legalização das drogas, legalização do aborto, união civil homossexual, adoção por homossexuais, operação de mudança de sexo em hospitais públicos. 

Porque sou contra a descriminalização do uso de drogas

Porque o mercado de drogas obedece a lei da oferta e da demanda.

Porque se não existir o consumidor não haverá o fornecedor.

Porque o mercado de drogas lícitas e ilícitas esta direta ou indiretamente ligado à corrupção, ao crime organizado, à violência e aos acidentes.

Porque em última análise, o usuário é o maior responsável por estes males à sociedade. 

Porque sou contra a legalização das drogas

Porque a legalização das drogas não é acompanhada de uma política de responsabilização pessoal.

Porque o indivíduo que faz uso de drogas lícitas ou ilícitas não responde por seus atos e conseqüências.

Exemplos:

O fumante quando se descobre com câncer de pulmão obtém do estado tratamento “gratuito” pago pelo contribuinte.

O usuário de álcool quando tem diagnosticada uma cirrose hepática é tratado “gratuitamente” com dinheiro do contribuinte.

O usuário de drogas injetáveis que contrai o vírus HIV, recebe tratamento contra a Aids “gratuitamente” pago por contribuintes. 

Porque sou contra a legalização do aborto

Porque a mulher decide manter relações sexuais sem o uso de preservativos ou outros métodos contraceptivos, engravida e recorre a um hospital público para praticar o aborto “gratuitamente” pago pelo contribuinte.

Porque a distribuição “gratuita” de preservativos é paga com dinheiro do contribuinte. 

Da questão homossexual

Não me interessa a vida sexual do indivíduo, homem ou mulher, hetero ou homossexual, o que o indivíduo faz ou deixa de fazer é problema dele, não meu. 

No entanto, a partir do momento que tal conduta resulta em conseqüências que prejudiquem a sociedade de alguma forma, quer economicamente, quer não, eu sou contra. 

Porque indivíduo que mantém relações sexuais sem a devida proteção e contrai o vírus HIV, recebe tratamento contra a Aids “gratuitamente” pago pelo contribuinte.

Porque todas as doenças sexualmente transmissíveis tem tratamento “gratuito”, pagos pelo contribuinte.

Porque a distribuição “gratuita” de preservativos é paga com dinheiro do contribuinte.

Porque as operações de mudança de sexo são oferecidas “gratuitamente” pagas pelo contribuinte. 

Conclusão 

Me defino como economicamente liberal, e até tenderia ao liberalismo político caso o ônus destas situações fosse apenas dos indivíduos que se sujeitam a elas, o contribuinte não deve ter de pagar pelo tratamento de alguém que voluntariamente decidiu fazer uso de substâncias tóxicas ou se colocar em situação de risco.  

No entanto as conseqüências diretas e indiretas da ação isolada de indivíduos se faz sentir no todo, ainda que tais indivíduos arcassem com o prejuízo financeiro, este seria somente parte das conseqüências; a corrupção, o crime organizado, a violência e os acidentes ainda se refletiriam sobre toda a sociedade. 

Logo é impossível defender o direito à liberdade individual irrestrita com base no argumento de que somente os indivíduos arcariam com as conseqüências, na prática toda a sociedade sofre. 

Vê-se portanto, que o liberalismo político é incompatível com o liberalismo econômico, apesar de paradoxal, para que a liberdade seja mantida de fato faz-se necessário manter certa dose de “conservadorismo político” não pelas convicções morais, éticas ou religiosas da maioria ou dos que fazem as leis, mas pela própria questão da liberdade, garantir as liberdades individuais nos moldes acima expressos é suprimir a liberdade real. 

Em suma liberdade sem responsabilidade é liberdade de uns poucos em detrimento da liberdade de muitos !