Ricardo Vitorino do Nascimento

A Nova Sociedade

In opinião pessoal on Outubro 16, 2007 at 7:49 pm

Em 1950 Peter Drucker, famoso teórico da administração escreveu um livro chamado “A Nova sociedade”, nele Drucker se referia à comunidade fabril e em como os novos processos empresariais afetavam as relações de trabalho e a sociedade e lhe davam nova forma e significado.

Pouco mais de meio século depois, estamos passando por outra revolução nas relações de trabalho que desencadeiam numa mudança da sociedade, e já que estamos no terreno da administração vou citar outro teórico moderno, não tão famoso quanto o primeiro, mas igualmente importante, trata-se do irlandês radicado na Inglaterra, Charles Handy.

Handy tem afirmado que as formas de trabalho estão evoluindo de uma forma diferente da que estamos acostumados a pensar, e a sociedade tem acompanhado essa evolução, então poderíamos falar de uma corrida no sentido contrário ao que vivemos hoje.

Um dos exemplos de Handy é o do homem para quem “manter um casamento depois de muitos anos, criar os filhos e ter uma família unida” pode ser uma definição de sucesso, logo ser bem-sucedido não estará mais ligado ao sucesso profissional e sim a valores mais subjetivos que este.

Assim alguém pode decidir por exemplo trabalhar menos, mudar de área profissional no meio da carreira ou ainda deixar de trabalhar para se dedicar aos filhos, a ter uma vida mais simples, mais ligada a natureza e ainda que não tenha muitos bens, luxo e conforto se considerar bem-sucedida.

Ricardo Vitorino não é um administrador, nem um futurólogo, apenas alguém que se interessa por assuntos como administração, economia, política… alguém que gosta de ler, de se informar e que tem idéias próprias.

Indo um pouco além nesta “viagem” induzida por Drucker e Handy acredito que esta nova sociedade será bem melhor que a atual e que justamente os fatores econômicos e a atual revolução nas relações de trabalho serão o motor desta mudança.

Os valores estão mudando, hoje mesmo é possível ver esta tendência num crescente contínuo, onde coisas como jóias, carros de luxo, iates, etc perdem cada vez mais seu valor de uso para coisas simples como viagens a lugares exóticos não necessariamente caras, o convívio com a natureza que pode ser gratuito e a relação com os outros que não tem preço.

Acredito, e espero poder ver e participar desta nova sociedade, quiçá criar meus filhos num mundo um pouco menos consumista e com valores mais elevados. Quem me conhece ou lê meus tópicos sobre economia, política, sociedade, deve achar que estou doente, quem sabe tive um surto de anti-capitalismo, ledo engano ! só acredito que o próprio capitalismo está se reformulando para atender as expectativas desta sociedade que se forma.

Mas é possível viver assim hoje sem esperar o futuro, fazendo-o chegar agora, basta que pesemos nossas vidas, analisemos nosso cotidiano, nossas escolhas e os frutos que temos colhido.

Ainda que não queiramos admitir, a maioria de nós vive correndo contra o relógio, se desgastando no trabalho em jornadas, duplas, triplas… os casais trabalham mais para poder pagar uma boa escola aos filhos, a academia, a cirurgia plástica, a viagem a Disney, etc e tem se esquecido de simplesmente viverem, de serem pais e antes disto amantes !

Não é preciso me delongar para demonstrar o quanto temos sido escravos do dinheiro, do tempo, das convenções sociais de nossa época entre outras coisas, mas basta que tomemos consciência de nossa realidade, que internalizemos hábitos mais saudáveis, e que tomemos a decisão de mudar a partir de hoje os pequenos hábitos, e quando menos esperarmos seremos parte desta nova sociedade e o futuro será o nosso dia-a-dia.

Também não sou ingênuo o bastante para achar que tal transformação se dará da noite para o dia e sem percalços, apenas olho para os dias de hoje com a visão de um historiador, os processos históricos que parecem lentos aos nossos olhos são incrivelmente rápidos quando se compara com o curso da história, sobretudo se levarmos em consideração o último século.

É possível que tenhamos que nos habituar com um padrão inferior de consumo, talvez haja menor oferta e variedade de alimentos e os preços subam, o uso racional de água já é uma realidade, e com certeza os “bens de consumo” não poderão ser adquiridos pela maioria, mas isto não significa necessariamente que a qualidade de vida será pior, pelo contrário talvez até melhore, basta que descubramos que não precisamos destas “coisas” para viver bem, e que troquemos os valores que nos são incutidos pela sociedade atual por novos valores, novos paradigmas que estejam mais alinhados com a real perspectiva de vida nos próximos anos.

Bom, então você tem feito isso certo Ricardinho ? confesso que é mais fácil escrever sobre o assunto do que viver, a esta altura dirão: “pregador ! pratique o que você prega !” ok ! mas tenho tentado e experimentado algum progresso, ainda estou longe do ideal é verdade, mas a caminho, ao menos tenho a consciência e a vontade de mudar.

O que nos reserva o amanhã ? só Deus sabe! mas tendo a pensar que nos está sendo dada a oportunidade de fazer parte de uma grande mudança, cabe a nós decidirmos se queremos ser espectadores ou protagonistas.

E aí, vamos começar ?

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